O PÚLPITO E O PUNHAL

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O PÚLPITO E O PUNHAL

Por Cleyton Gadelha

Reconhecendo que é nosso dever, no testemunho do Evangelho, estarmos do mesmo lado, permita-me, entretanto, apontar o dedo contra nós mesmos. Sim, precisamos que, afinal se diga, que as armas que estão matando nossa identidade, foram gestadas por nossa tolerância autofágica.

O compromisso de manter a igreja em moldes biblicamente concebíveis foi, algumas vezes, negociado no balcão da “relevância”. As últimas três décadas foram, em certo sentido, devastadoras para a igreja no Brasil. À medida que a igreja ia sendo transformada de protestante em “evangélica” as estatísticas do IBGE iam embriagando nossa percepção. Pouca gente se dava conta que, no processo, o movimento evangélico brasileiro ia apodrecendo por dentro. Os fatores que viabilizavam tamanho crescimento não eram, nem de longe, legítimos como práticas cristãs. Mas o “sucesso” era por demais avassalador para ser resistido.

Dos “dentes de ouro” a “Marcha prá Jesus” parte de nossa herança foi extraviada. Sem reflexão teológica, o movimento evangélico caiu nas mãos de celebridades da música gospel e de líderes carismáticos que invadiram a mídia, assumindo de forma usurpada, o direito de falar em nome de toda a Igreja.

A face pública do movimento chamado evangélico parece, “uma gigantesca máquina de desentortar banana”. Visibilidade impressionante, mas completamente esvaziado de âncoras históricas e lastro teológico.

O que está aí é estatisticamente impressionante, mas não pode ser celebrado como cristianismo, porque não o é.
Um “cristianismo” que não produz mais impacto moral nem sobre si mesmo. Um cristianismo que, várias vezes, fica aquém da moral pagã, não foi, evidentemente esculpido, pelo poder santificador do Espírito Santo.

Por outro lado, parte das denominações históricas, que, deveriam ter ancorado o cristianismo no porto da reforma protestante, praticaram também um grande mal, quando entregaram suas escolas teológicas nas mãos dos liberais.

Seminários protestantes pagaram salários a professores liberais, que corromperam a fé dos nossos jovens que, indefesos, eram entregues nas mãos deles para serem “bultmannizados”, “tilichizados”etc. Esses jovens, depois de algum tempo, eram feitos pastores e, usariam nossos púlpitos como arma letal de desconstrução do cristianismo bíblico. “Quem apóia lobos, sacrifica as ovelhas”. Por isso a história não nos tem por inocente.

Muitas igrejas morreram, e o punhal que as matou foi um púlpito pejado de má teologia ou de maus compromissos.
Batistas, presbiterianos e todos os históricos, precisamos fazer um “mea – culpa” porque a resposta dos nossos pais ficou muito aquém da necessidade da igreja e, nós, não somos melhores do que os nossos pais, portanto chorar é também nossa parte.

Mas, como sempre, Deus quer salvar o seu povo, porque se dependesse de nós, seu plano seria de todo extraviado, mais uma vez está Ele vindo em nosso socorro.

É encorajador ver algo novo, burbulhante, se movendo como um broto emergindo de um toco queimado. Há uma força que não se deterá por ser pequena. O Senhor já começou sua reação. Há um vigoroso despertamento das igrejas do Brasil rumo às Doutrinas da Graça.

O mote dos anos 70/80 era: Doutrina não! Doutrina divide! Esse bordão enganoso está sendo substituído no coração de um remanescente que começa a bradar nos púlpitos e nas redes sociais, em acampamentos e em conversa de mesa: Doutrina sim! Teologia Sim! E que sejam àquelas velhas doutrinas que mudaram a Igreja e o mundo no século 16. Como disse Marcos Granconato: “Teologia é como vinho, quanto mais velha melhor”.

Palavras como Wittenberg, Genebra, Dort, Westminster, Puritanos, Credo, impronunciáveis há alguns anos, compõem agora a falação da galera jovem e dos sólidos anciãos de nossas igrejas. A hora da virada chegou!
Deus está visitando a igreja no Brasil para reesculpir sua face com o cinzel da virilidade bíblica e da pujança dos reformadores que batalharam pela fé dos santos sem jamais desfalecerem.